Na luta por igualdade de gênero, a Ô Dona é um hub online de pessoas que se identificam como mulheres.  Somos diferentes umas das outras, com diversas habilidades e talentos, mas todas buscamos nosso espaço e representatividade no mercado de trabalho. Algumas são LGBTI+ e, por isso, queremos falar sobre essa diversidade.

Orgulho LGBTI+

Em 28 de junho de 1969, em um bar chamado Stonewall Inn, Nova York, um grupo resolveu enfrentar a violência policial que era frequente contra os homossexuais. Esse grupo ficou confinado lá por vários dias, enquanto pessoas que se identificavam com a luta se amontoavam do lado de fora do bar para dar apoio. O dia passou a ser conhecido como “Dia Internacional do Orgulho Gay” (também “Dia do Orgulho LGBTI+”) e, durante todo esse mês, comemoramos as vitórias conquistadas, além de termos a oportunidade de refletir sobre tudo aquilo que ainda precisa mudar.

E refletindo…

Devemos olhar para o nosso próprio papel na sociedade: de maneira ampla, somos um coletivo de mulheres. Mas qual a definição de mulher?

Talvez, a pergunta certa seria “o que representamos como mulheres?”, mas qualquer resposta seria genérica demais se não questionarmos o que representamos como mulheres cis, mulheres trans, héteros, lésbicas, brancas, negras… e é claro que essa lista segue.

Porque o fato “ser mulher” por si só não diz muita coisa; descobrimos que isso não é o que aprendemos quando éramos crianças. Ser mulher não é aquilo que corresponde ao que algumas pessoas esperam de nós, nem um rótulo ou uma definição que agrega um pacote de valores pré-concebidos pela sociedade.

Citando Simone de Beauvoir, “O homem é definido como ser humano e a mulher é definida como fêmea. Quando ela comporta-se como um ser humano ela é acusada de imitar o macho.”*
Somos, “como os homens”, muito diferentes umas das outras. E é quando conseguimos nos desvincular desse primeiro rótulo, esse que nos foi atribuído pela sociedade, é que aparecem muitos outros.

O homem é definido como ser humano e a mulher é definida como fêmea. Quando ela comporta-se como um ser humano ela é acusada de imitar o macho

Ser mulher e ser LGBT

Esse mês, podemos celebrar o orgulho de conseguirmos nos libertar de amarras sociais que nunca fizeram sentido – apenas eram convenientes para determinado grupo – e ser quem somos.

Queremos enfatizar a nossa representatividade e busca por um espaço de igualdade na sociedade como mulheres livres, resistentes, e desejamos inspirar outras pessoas, assim como nos inspiram aqueles que estavam dentro do Stonewall Inn e não conquistaram apenas as pessoas que chegaram para prestar seu apoio, mas também avançaram na luta pela igualdade.

É preciso dizer que é maravilhoso trabalhar com mulheres tão fortes e incríveis, tão motivadas a encontrar esse espaço e tão pacientes e resilientes para nunca perder esse objetivo do foco.

Diversidade sempre

Comemorando as pequenas e grandes vitórias, podemos perceber que curtos são os passos que levam a sociedade a começar a entender que para fazer parte dela, para fazer parte de um grupo – seja de moradores de determinado local, de funcionários de uma empresa, de eleitores, qualquer grupo -, não é preciso mimetizar o comportamento dos demais nem se esforçar para ser e agir como os outros.

Desejamos que, aos poucos, as pessoas comecem a entender que as diferenças fortalecem um grupo: são os diferentes pontos de vista, os talentos, habilidades, tudo enriquece quando pessoas trabalham unidas para o bem coletivo ou por um mesmo objetivo.

Tudo o que você é, tudo o que você talvez nem saiba que representa, é aquilo que te torna único e inspirador. Sua originalidade atrai e saber que você pode ser quem quiser é libertador não apenas para você, mas para todas as pessoas ao redor.

*DE BEAUVOIR, Simone “O segundo sexo” [Le deuxième sèxe] (1949)